Sábado

Ia ficar para a história como o dia em que nasceu o João, o dia em que mandei 2 bifes para trás num restaurante fino, o dia em que desabou uma tempestade apesar dos 40 graus, uma chuva torrencial repentina e assustadora enquanto jantava no Cais do Sodré. O dia em que os ares condicionados não funcionavam, em que fui a pé ao Chiado comer um gelado e as pingas de chuva que ainda caíam secavam quase em segundos. Ia ficar para a história por um encadeamento de acontecimentos invulgares mas banais.

Não consigo falar sobre aquilo.

Zona de desastre

Uma das coisas que mais me aborrece no convívio social é a quantidade de conversa superficial que temos de suportar/produzir. Custa-me muito despender energia nesse bate bolas incipiente. As pessoas dizem coisas sobre gadgets, restaurantes, celebridades, modas e eu fico ali a tentar dizer alguma coisa semelhante a batatas cozidas, simples, digno, para encher. Até os meus amigos fogem de assuntos interessantes e importantes. Ninguém me pergunta como passo os dias, se tenho medo de não arranjar emprego. Se pergunto a alguém como vai o trabalho, ou a família respondem-me com evasivas, vai andando, nada de interessante. Ou é um jogo social muito cansativo ou se calhar estou louca, sou uma zona de desastre de que ninguém se quer aproximar.

“Mudar de vida” 2

Ando a ler uns 6 livros ao mesmo tempo. Ando a jurar que vou acabar de ler os que tenho a meio antes de começar outros, mas como se dizia na escola primária, quem mais jura é quem mais mente, continuo a encetar livros sem terminar os que tenho a meio. Apesar de não fumar e de nunca ter fumado regularmente estou a ler o livro que a jonasnuts aconselhou aqui. Achei que se funciona com o tabaco também deve funcionar com qualquer outro tipo de hábito pernicioso que não conseguimos abandonar. Enquanto leio vou trocando cigarro por telemóvel, tabaco por redes sociais, fumar por internet. Ainda vou a meio mas acho que já está a fazer efeito.

Chantilly

IMG_4970

Estou a meio do “Crónicas do Mal de Amor” da Ferrante, mas precisava de descansar da tareia que aquilo é. Comecei a ler este ontem na cama e para mal do indivíduo que dorme na metade adjacente da cama, estive com a luz acesa até o acabar.
O tema pode ser o mesmo mas a escrita é mais estilizada, mais distante e por isso menos sufocante. Fragmentário mas denso, curto, cirúrgico, reconfortante sem ser condescendente. Soube-me mesmo bem ler tudo de enfiada, foi como meter uma lata de chantilly na boca e apertar o gatilho.