Vou só deixar isto aqui

“O exemplo mais flagrante do provincianismo português é Eça de Queirós. É o exemplo mais flagrante porque foi o escritor português que mais se preocupou (como todos os provincianos) em ser civilizado. As suas tentativas de ironia aterram não só pelo grau de falência, senão também pela inconsciência dela.
(…)
Para o provincianismo há só uma terapêutica: é o saber que ele existe. O provincianismo vive da inconsciência; de nos supormos civilizados quando o não somos, de nos supormos civilizados precisamente pelas qualidades porque o não somos. O princípio da cura está na consciência da doença, o da verdade no conhecimento do erro. Quando um doido sabe que está doido, já não está doido. Estamos perto de acordar, disse Novalis, quando sonhamos que sonhamos.”

Fernando Pessoa, 1928
Textos de Crítica e de Intervenção . Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1980: 159.
1ª publ. in “Notícias Ilustrado”, série II, nº 9. Lisboa: Agosto. 1928.

diário #20210317

Confesso que tenho dificuldade em perceber o que sofrem os “burgueses do teletrabalho” como eu por não sairem de casa. Não sinto dificuldade nenhuma em estar em casa a trabalhar meses a fio, especialmente agora que a escola voltou a abrir. Em casa nunca me aborreço. Lembrei-me do espanto que senti quando percebi pela primeira vez que Sísifo era um homem. Sempre o tinha imaginado mulher e senti-me chocada e até um pouco ofendida quando percebi que não era. Depois percebi que a versão feminina de Sísifo não chega sequer a mover a pedra, não chega a sair do mesmo sítio porque está sempre a parar para resolver os problemas de todas as outras pessoas à sua volta. Segura a pedra com um pé enquanto dá colo a uma criança, fala com a mãe ao telefone com ele entalado entre a cabeça e o ombro, e mexendo, com a mão que lhe resta, a panela do jantar. Comecei a ler o Bird by Bird da Anne Lamott e estou a dobrar os cantos a todas as páginas, de bom que é. Para além disso também é muito divertido. Terminei A Floresta de Bremerhaven de Olga Gonçalves, uma jóia do PREC, com um dispositivo narrativo invulgar, composto quase exclusivamente por diálogos em que ouvimos apenas os interlocutores do narrador e nunca o que o narrador lhes diz. Passa-se em Porto Covo, mas na minha cabeça vejo Milfontes, onde passei algumas férias de infância nos anos 80. Lembro-me das noites de calor e de o meu pai me bater por eu não conseguir dormir e estar sempre a chorar, cheia de babas das melgas que me atacavam impiedosamente. Esta noite acordei de um sonho em que subitamente tudo começou a tremer e a vibrar sem explicação, percebendo depois ao acordar que essa vibração do sonho tinha sido provocada por um dos habituais picos de batimentos cardíacos que costumo ter depois de me deitar. A minha cabeça criou uma história para justificar o que estava a acontecer ao meu corpo, que bonito, efabulo até a dormir.

Porque não uso saias

Geralmente não uso saias. Tenho algumas mas não me sinto confortável a usá-las. Chego a vesti-las e dispo-as logo em seguida, trocando-as por calças. Costumo usar vestidos quase exclusivamente quando vou para a praia. O meu desconforto com saias começou na escola, os rapazes a levantavam-me as saias o tempo todo. Quando fui para a preparatória, comecei a recusar-me a usar saias o que irritava bastante a minha mãe. Preferia roupas mais desportivas e largas, semelhantes às roupas que os rapazes usavam. Esse tipo de roupa protegia-me de uma série de coisas que eu procurava evitar. Estar bonita não era uma prioridade, sentir-me segura sim. A minha mãe e outros familiares não me davam descanso, sempre a pressionarem-me para usar saias e roupas mais femininas. Penso que a minha escolha era inconsciente e automática, pavloviana, não sabia ainda como justificar-me e explicar à minha mãe porque assim era. Acho estranho que nenhum adulto na altura tivesse discernimento para compreender porque é que eu fazia essa escolha; não compreendo também porque continuavam a tentar forçar as minhas escolhas que poderiam ter sido motivadas por uma série de outras coisas relativas a identidade de género ou preferências sexuais. Hoje em dia continuo a vestir-me sobretudo com peças de roupa que tanto poderiam ser de homem como de mulher. Não sei se é força do hábito, se é força de um trauma, se no fundo tenho em mim alguma não binariedade. Não sei, apenas lamento o tempo e energia dispendidos com este assunto ao longo da minha infância e juventude.

diário #20210310

Dói me muito a cabeça. Respiro devagar para a cabeça latejar menos e tomo um paracetamol. Vem me à boca uma daquelas frases nojentas começada por “as pessoas”: as pessoas gostam de achar que a sua maneira de fazer as coisas é a única, a absoluta e verdadeira. As pessoas e as coisas variam muito mas as pessoas gostam de achar que não, e estão muito seguras das suas convicções. Acordei cedo para levar a minha avó para fazer análises de rotina no hospital e não bebi café. Percebo agora porque me dói tanto a cabeça. Não consigo concentrar-me nos episódios novos de American Gods por causa dos dentes do Ian McShane, não consigo parar de olhar para as capas de porcelana estilo Barbie que vão tão mal com tudo o resto. Tenho formigas na cozinha há mais de um ano, já gastei demasiado dinheiro em armadilhas e venenos e não consigo exterminá-las. São minúsculas e passam por todos os buraquinhos, até entram em frascos fechados se não forem daqueles com borracha para vedar. Estou cansada de ter de tirar tudo da despensa, dos armários, da bancada. O livro da Carmen Maria Machado é muito bom, tirando aquela parte do Law and Order, francamente dispensável. Comecei a ler A Floresta de Bremerhaven, de Olga Gonçalves, por sugestão de Susana Moreira Marques num programa de tv de cujo nome não me lembro, em que se fala de escritoras portuguesas esquecidas. Forço-me a ouvir podcasts enquanto trabalho porque a música cansa-me e o silêncio apita-me nos ouvidos. Ouvir quem acha a vida fácil faz-me sentir a vida mais fácil. O paraíso é não saber que vamos morrer, adão e eva de lá e arrependeram-se. Preciso de matar as formigas, o medo de falhar e a fada do lar.

Jogos Florais

as meninas
desligam sempre o microfone
e sabem sempre
porque fazem as coisas
estão sempre prontas
a justificar-se
como o texto
(direitinhas entre as margens)
como as faltas
(motivadas por causas nobres)
as meninas
são responsabilizadas
(held accountable em estrangeiro)
pelo que fazem
e pelo que não fazem
(a mulher de César também foi uma menina)
e por isso são polidas
como as maçanetas
(de tanto lhes passarem a mão)
os colegas riem-se
e fazem disparates
mas as meninas não
as meninas sabem que vão morrer
os colegas ainda não

diário #20210303

Não vejo novelas há anos mas quando faço zapping e por acidente ouço um bocado do enredo cómico fico sempre impressionada como é que esta gente fala como se ainda estivesse no parque mayer nos anos sessenta. Não se faz humor sem ser por caricatura, sempre todos aos gritos como se exorcizassem palhaços. Há muita gente com talento e muita gente com audiência, raramente são as mesmas pessoas. A escola em casa continua, um pouco mais calma agora que todos começaram a baixar as expectativas, mas ainda com uma incessante necessidade de rolos de papel higiénico vazios e outros tipos de lixo reciclável que as crianças aprendem a venerar como veículos artísticos, levando a discussões dignas do programa hoarders sobre qual a quantidade aceitável de cartões e garrafas de plástico que é saudável guardar antes que alguém chame o delegado de saúde. De acordo com o livro que andei a ler na semana passada, se nos comportarmos de acordo com a cultura dominante esquecemo-nos mais facilmente da nossa mortalidade. Se não conseguirmos, temos sempre a arte como apaziguadora, como escrever para dar sentido a uma vida obcecada pelas coisas erradas. Apercebo-me que o período em que li menos foi durante a faculdade, todos aqueles tempos mortos, toda a espera para ser atendida pelo professor sugavam-me a energia. Lia mais na adolescência e leio mais agora. Os últimos livros do Oliver Jeffers não são tão bons como os primeiros, desconfio que a paternidade e o medo consequente lhe tenham contaminado a imaginação, mas enfim, quem sou eu para julgar, o medo é açúcar para a imaginação, queima rápido e deixa um vazio interior. Ainda não decidi se foram os comprimidos de Ómega 3 ou o livro The worm at the core, que me deixaram tão bem disposta ultimamente, só eu para ficar bem disposta com livros que falam sobre a inevitabilidade da morte, só eu para preferir uma lucidez crua e impiedosa ao faz de conta social. Aborrecem me nos livros e nas séries as cenas de sexo, e nas redes sociais as pessoas que perguntam inevitavelmente e por vício (como as crianças na escola se é a lápis ou a caneta) se podem substituir a farinha de trigo por pintelhos moídos de grilo da Tanzânia, ou outra qualquer substância em pó mais saudável/sustentável/holística. Dêem-me água quente para o banho, cama, almofada e edredon, um livrito e um pãozinho com manteiga e não preciso de chatear ninguém.

The worm at the core

Passei as últimas semanas a ler e a riscanhar incessantemente este livro, que em meia dúzia de páginas se tornou um dos livros mais importantes da minha vida. Este livro conseguiu o que anos de psicoterapia, um sortido variado de comprimidos e milhares de doses de gelado de chocolate não conseguiram antes: apaziguar-me. Tem por base a terror management theory que, se bem entendi, diz basicamente o seguinte: o que nos distingue dos animais é a consciência da morte, e que controlar a ansiedade que daí advém é a força motriz do comportamento humano e causa primordial do que designamos por sociedade. Todas as minhas dúvidas existenciais se dissiparam, toda a minha ansiedade se libertou, sou uma pessoa mais leve e durmo melhor à noite. Não acreditam? Nem eu acreditaria se me contassem, mas é verdade, foi o que me aconteceu. Partindo da evolução darwiniana como a sobrevivência do mais apto/adaptável/esperto, uma das coisas que sempre me inquietou foi a razão para ao longo de tantos séculos existirem na maioria das sociedades humanas códigos de honra. Porque se valorizou durante tanto tempo a verdade e a honestidade? Ora o livro explica isso. Explica também porque é que quando as pessoas são permanentemente bombardeadas com a preocupação com a morte (olá covid! olá cmtv!) as pessoas tendem a virar-se para valores mais tradicionalistas, egoístas, e xenófobos. Não só explica como apresenta dezenas de estudos científicos que o comprovam, visto que estes senhores não fizeram mais nada na vida durante os últimos 30 anos, e o que eu adoro psicologia experimental. Este livro explicou-me a minha vida, e finalmente agora posso viver em paz.

Eu nunca me aborreço

Depois da obsessão com as estantes por detrás dos oradores nas videoconferências, virei-me para os nomes e arrumação dos ficheiros no desktop quando as pessoas partilham o ecrã.

Wanda

Wanda Why Aren’t You Dead
By Wanda Coleman

wanda when are you gonna wear your hair down
wanda. that’s a whore’s name
wanda why ain’t you rich
wanda you know no man in his right mind want a
          ready-made family
why don’t you lose weight
wanda why are you so angry
how come your feet are so goddamn big
can’t you afford to move out of this hell hole
if i were you were you were you
wanda what is it like being black
i hear you don’t like black men
tell me you’re ac/dc. tell me you’re a nympho. tell me you’re
          into chains
wanda i don’t think you really mean that
you’re joking. girl, you crazy
wanda what makes you so angry
wanda i think you need this
wanda you have no humor in you you too serious
wanda i didn’t know i was hurting you
that was an accident
wanda i know what you’re thinking
wanda i don’t think they’ll take that off of you

wanda why are you so angry

i’m sorry i didn’t remember that that that
that that that was so important to you

wanda you’re ALWAYS on the attack

wanda wanda wanda i wonder

why ain’t you dead

diário #20210219

A lentidão distrai-me. Não é bem a lentidão, porque não é a lentidão das imagens que me faz dispersar, é mais a lentidão do discurso. Para me conseguir concentrar em tutoriais e vídeos educativos do youtube tenho quase sempre de acelerar a velocidade para que as pessoas falem mais rápido, senão não consigo entender o que dizem, fica demasiado espaço entre as palavras para preencher com os meus pensamentos. É inútil ouvir audiolivros ou podcasts, não retenho nada do que foi dito. O mesmo acontece com os livros, quando há demasiado espaço entre as linhas, ou estas são demasiado pequenas não me consigo concentrar no que estou a ler. Se isto se deve à internet e ao consumo voraz de informação despicienda, não sei, mas desde pequena que prefiro manchas de texto mais compactas, que me permitem ler mais rápido. São 3:45, um dos meus vizinho abriu o estore do quarto acordando-me. Tento furiosamente voltar a dormir, mas ninguém consegue dormir furiosamente. Invejo as pessoas coerentes e o Cavaco, que nunca se enganam e raramente têm dúvidas (ou vice-versa, já não me lembro e não me apetece ir ao google procurar), que conseguem ligar todas as suas escolhas e decisões a um traço comum, a uma espinha dorsal sem escoliose, hérnias, ou lombalgias. Tenho em mim todas as contradições do mundo. E também tenho muitas piadas foleiras com citações distorcidas.

Por falar em séries

Vi o primeiro episódio de I Know This Much is True e não consegui ver o resto, pode ser muito bom mas é demasiado intenso e não aguento mais daquilo, quase nem dormi. Comecei a ver American Gods, só por causa do Ian McShane, era capaz de pagar para o ver a ler a lista telefónica.

Everything is a remix

Sim, já tudo foi inventado, não, ainda não foi inventado tudo. Criatividade é isso mesmo. Esta série de vídeos é muito interessante e a que se segue, sobre teorias da conspiração também.

Quem ganha não é quem chega lá primeiro, mas quem tem mais oportunidade/capacidade de difusão.

The Leftovers

Não consigo parar de pensar no Shuggie Bain, na violência, no alcoolismo, na pobreza, no instinto de sobrevivência, na ternura, tal como não consegui parar de pensar na série The Leftovers, nos meses seguintes a tê-la visto. Há livros, filmes e séries que mudam quem somos, mas também há posts e memes que nos deixam sem ar.

O que vemos quando lemos

Um livro sobre livros, sobre a paixão pelos livros, sobre ler e imaginar, sobre o que acontece na mente do leitor quando ele lê, interpreta e imagina. Imperdível para quem gosta muito de ler.

“Será que ler um romanca não significa produzir como que uma peça privada? A leitura é selecção de intérpretes, criação de cenários, maquilhagem, marcação cénica, encenação…”

diário #20210217

Apercebi-me lentamente que, tirando a família, as pessoas já só falam ao telefone quando não querem que existam provas escritas do que vai ser dito nessa conversa. Ninguém se quer responsabilizar, eu muito menos, comecei a responsabilizar-me por mim e pelos outros demasiado cedo, sempre fui a mais responsável em todo o lado, mas essa capacidade foi consumida, ardeu como combustível até se extinguir. Sempre que trazem miúdos faço questão de comer o coração dos frangos, faço o por respeito hipócrita e vergonha do desperdício, como os esquimós que dizem uma oração antes de matarem a presa. Não sair de casa está a tornar-me cada vez mais robótica e apática. Ao mesmo tempo que o presidente pensa em apertar a legislação sobre o ruído doméstico pedimos às crianças que façam educação física em casa aos saltos e que aprendam música treinando com uma flauta. Toleramos tudo. Primeiro podíamos ir à rua comprar a Caras, mas não um livro. Tolerámos isso. Agora já podemos comprar livros mas não em livrarias físicas, esses locais de consumo louco e desenfreado que estão sempre a abarrotar de gente e com filas gigantescas à porta (quem dera!). Toleramos tudo, até pessoas a respirarem para o pescoço do vizinho da frente na fila da churrasqueira take-away ou na carruagem de metro. Toleramos tudo. Se as livrarias mudarem o CAE nas finanças para poderem começar a vender chouriças, talvez pudessem voltar a vender um livrito ou dois lá pelo meio dos enchidos. Enfim, toleramos tudo, aceitamos a irracionalidade pelo bem comum, toleramos a desadequação devida à urgência, damos um desconto pela necessidade de improviso, mas bem vistas as coisas estamos nisto há quase 1 ano e começamos a ficar cansados de tanta tolerância. Não há uma matriz para o número de horas online para crianças do pré-escolar, toleramos a forma como a escola passa a irromper no espaço doméstico, aceitamos expor as nossas casas e a nossa privacidade aos olhares de estranhos. E aguentamos assim porque cremos que tudo isto é temporário, tal como eu aguentei quando frequentei uma escola temporária, em pré-fabricados com telhado em amianto e buracos no chão, que já era temporária 12 anos antes de eu lá ter andado. Esquecemo-nos quase todos os dias que (e se calhar só por isso mantemos a sanidade) a nossa vida também é temporária e que é só tolerar mais um bocadinho e pum, estaremos finalmente mortos e sossegados na privacidade do nosso caixão. No outro dia lembrei-me de voltar a usar brincos e quase já não fui a tempo, tive de forçar a entrada com um espigão de ouro barrado em pomada desinfectante e andar dois dias com as orelhas a arder e a latejar. Ando a ponderar comprar um ebook reader, poupa-se papel, tinta, transporte, mas gasta-se lítio e plástico e afins, pesa menos mas é demasiado acessível, torna-se demasiado fácil comprar livros por capricho, e alguém me dê serenidade para aceitar as coisas que não consigo mudar, a coragem para mudar as coisas que consigo, e a sabedoria para as distinguir, porque claramente não está fácil. Muitos livros são mais baratos em versão eletrónica, e posso mudar o tipo de letra e o tamanho que é coisa que me amofina bastante nalguns livros, para além de me atrasar a leitura. Apercebi-me demasiado tarde que ensinei demasiado cedo ao meu filho como argumentar. Traz-me algumas dores de cabeça e trar-lhe-á (que lindo!) alguns dissabores ao longo da vida. Agradeço profundamente que ele não seja igual a mim, que se tivesse estas aulas online estaria sempre quieta e calada no meu canto, deprimida e amedrontada com os gritos da professora, “podem falar!”, eu que sabia todas as respostas mas que me escondia a um canto para que não me incomodassem, que deixava copiar e passava as respostas aos colegas nos testes, que nunca me voluntariava para responder, que nunca punha a mão no ar para mostrar que sabia, a não ser quando o professor errava nalguma coisa e aí o erro crescia no quadro até se tornar intolerável e aí sim, eu interrompia, borrada de medo, mas interrompia, porque o erro me era insuportável. Ainda hoje os erros me são insuportáveis, sobretudo os meus, mas aprendi a tolerá-los como a tudo o resto, para conseguir viver. Sim, sempre tive boas notas, mas nem todos os professores gostavam de mim.

Estou cada vez mais confusa

Não consigo entender para onde vamos como sociedade. Parecemos tão avançados numas coisas e tão retrógrados noutras. Cada vez que, por acidente, vejo um pouco das notícias, fico de boca aberta sem entender metade do que se passa no país.