Beijinhos e Parabéns

Se não me falha a memória, o poeta Manuel António Pina disse uma vez que conhecia vários bons escritores, mas que bons homens eram cada vez mais difíceis de encontrar. Ultimamente tem se discutido muito sobre se a obra de um artista deve ser confrontada ou não com o carácter e conduta do mesmo, tal é a quantidade de heróis que temos vindo a ver ruir por causa de comportamentos censuráveis. Sou co-responsável pela educação de um pequeno homem e mais do que ser responsável, trabalhador e um bom profissional, quero que o meu filho seja um bom homem. Nunca achei que fosse possível alguém ser considerado um bom homem de forma unânime, mas hoje provaram-me o contrário. Porque mais raro e importante do que ser um bom artista, é ser generoso, gentil, disponível, é isso de que todos se lembram quando morremos. E apesar de não ser o mais adequado para uma banda punk dos anos 80, o primeiro nome dos Xutos e Pontapés era o que lhe assentava melhor: morreu ontem o guitarrista dos Beijinhos e Parabéns.

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Respirar

Todos os dias quando acordamos devemos lembrar-nos, por ordem de prioridade, daquilo que precisamos para viver:

1º- oxigénio
2º- água
3º- alimento
4º- tudo o resto

Sem árvores e plantas não há oxigénio.
Poluindo e desperdiçando, deixaremos de ter água.
Sem oxigénio e sem água não haverá alimento.

É tão simples e tão fácil de entender.

Todos os dias quando nos deitamos devemos perguntar-nos, egoisticamente, o que é que fizémos hoje, para melhorar a nossa própria hipótese de sobrevivência. Já nem falo dos nossos filhos, das nossas famílias, das outras pessoas, dos animais, dos ecossistemas ou do planeta. Se nem sequer entendemos o que precisamos de fazer para manter a nossa própria e egoísta sobrevivência, estamos em muito maus lençóis.