diário #20210528

O filme Thelma and Louise fez 30 anos e continua a ser um dos meus filmes preferidos. Vi-o demasiado cedo, mas fez-me bem. Sempre vi e li antes do tempo, muitas vezes às escondidas. Desde janeiro já adicionei 57 livros à lista dos que gostava de ler, aproximadamente o dobro da minha capacidade actual de leitura. Tento ler 50 páginas por noite, quase como um remédio, para não me esquecer das palavras, para não me esquecer do ritmo. Às vezes apetece-me deitar tudo fora, roupa, livros, pratos, coisas, destruir tudo e começar do nada com um prato, uma colher e uma muda de roupa. Felizmente à velocidade que essas ideias me atacam, também se vão embora, ficando a certeza que nada mudaria com toda essa mudança. Questiono-me tanto e ponho em causa tanta coisa que às vezes nem sei quem sou. Só sei que sou plural e incongruente. Passei metade da vida a ouvir raspanetes que não eram para mim, e sinceramente estou farta. Mil vezes ouvi os professores ralharem para toda a turma como se todos tivéssemos igual culpa no cartório (não que eu nunca fizesse merda, mas sabia fazê-las pela calada e nunca era apanhada). Aborrece-me receber emails reply all com repreensões que não são para mim. Perdi a minha saúde à conta de tentar ser perfeita e continuo a ouvir reprimendas sobre coisas de que não tenho a culpa. Não serviu de nada tentar ser perfeita. Escolho que livros ler com base nas prateleiras que ainda estão vazias, brevemente terei de ler alguns europeus que é onde ainda tenho espaço. Depois o ebook reader tratará de conter tudo o que eu quiser ler. Não aguento mais trocadilhos nos nomes das coisas, esgotei o plafond quando trabalhava em publicidade. Gosto de ver no instagram a Dona Dolores a merendar no interior de um avião privado, é daquelas coisas que anima logo o meu dia.