diário #20210430

Estão 23ºC dentro de casa. Estou de t-shirt e camisola de lã e a tremer de frio. Aproveito que é hora do almoço e lavo as mãos na cozinha com água quente. Vou à varanda ver das plantas. Não sei se o aloé vai resistir ao transplante, as folhas dos morangos já estão gigantescas, o tomilho apanhou uma moléstia branca que espero que não passe para as outras plantas. Rego as hortênsias, os cravos túnicos e o manjericão. Nunca tive uma varanda tão bonita, mas bem que me deu cabo das costas. Deixo para o fim de semana a arrumação das ferramentas, vasos e substratos que sobraram. O workshop de escrita acabou mas ainda tenho de produzir o texto final. Aquele grupo de mulheres conseguiu algo poderoso, todas as semanas 3 horas em directo onde nos despimos naquele lugar seguro. Nunca fiz parte de uma turma onde me sentisse tão bem integrada, nem na escola nem em lado nenhum. É impressionante o nível de escrita de todas aquelas anónimas especialmente se tivermos em conta as merdas que são publicadas. Não tenho fome. Comi uns frutos secos há bocado e tenho preguiça de fazer comida. Esta semana a médica aconselhou-me a procurar um nutricionista, a tentar fazer dietas de eliminação para tentar perceber se aquilo que eu como influencia os meus achaques. Eu sei que provavelmente ela tem razão mas estou tão farta de médicos e de teorias e de andar de um lado para o outro sem saber em quem confiar, não porque tema a incompetência, mas porque há muito pouco conhecimento verificado e efectivo sobre o assunto. Decido vir escrever em vez de almoçar, não tenho sopa feita e sobre tudo o resto paira a possibilidade de que sejam alergéneos e não estou com paciência para lidar com o assunto. O meu avô diria que o meu mal é fastio. Venho para o computador escrever, lugar de onde saí há 10 minutos. É claro que estar 10 horas sentada ao computador e não andar mais do que da sala para a cozinha terá também alguma culpa no cartório. Tudo o que faço é em detrimento da saúde e estou farta disso pender sobre mim o tempo todo. Tenho dormido mal, acordei com o despertador, sem perceber o que era aquele barulho que me estava a acordar. Fico à espera de me lembrar de palavras que quero dizer, sem em que gaveta estão, im, imp, impl, impr, impa, insisto até que ela aflore, implacável, é isso. O quotidiano é implacável. Vivo o ano todo para os 15 dias em Punta Cana pagos a prestações. Só que raramente saio do país, nunca fui a Punta Cana, nem nunca comprei férias a prestações. Mas o sentimento é o mesmo, viver para os 15 dias em que não tenha de ser eu.