diário #20210402

Estou a arrotar a alface desde a hora do almoço. Não sei mais o que comer, tudo me aborrece, me enjoa, me indigesta. Arrotar dentro das máscaras é mais uma das maravilhosa dádivas do covid. As formigas continuam na vida delas e eu na minha, de manhã saíam pela ranhura que as tomadas de electricidade têm para serem desencaixadas, uma coisa com dois ou 3 milímetros no máximo. Fui buscar a fita cola e dediquei-me a contorná-las impedindo a circulação. Amanhã terão descoberto outro caminho e Sísifo cá estará para elas. Continuo a adicionar coisas aos favoritos, coleccionadora compulsiva de corações em bens de consumo digital. Não tenho dinheiro, tempo, espaço ou inconsciência ecológica que me permitam comprar tudo mas ainda assim não quero que as coisas me faltem. Não quero que nada me falhe, espalho amor por todo o lado, gosto disto, e disto e disto. Listas e listas e mais listas. Quero muito escrever mas não tenho assunto, por isso ponho-me a esmiuçar o quotidiano em mícrons de realidade, à espera que a musa venha, mas ela está ocupada a ser ghost writer de outro alguém.

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