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Cancelei a HBO e ando a ver filmes gravados na box. Esta semana foi a vez do Her.

AVISO: SPOILERS E MUITA, MAS MESMO MUITA, MÁ-VONTADE

Se calhar é má vontade minha (eu sei que é) mas parece-me que o Joaquin Phoenix faz sempre da mesma personagem em todos os filmes, sempre o mesmo tarado, mas em diferentes estádios de psicopatologia. O filme passa-se num mundo indie em que tudo é fofo, confortável e bem iluminado, mas o nosso herói coitadinho sofre muito porque a mulher o deixou e ele é tão bonzinho e vive num apartamentozinho de luxo e tem um empregozinho tão quiduxo a escrever cartinhas de amor, ó, tão sensivel que ele é, buhuhu, punhos enrolados a rodar em frente aos olhos. Eu juro que na primeira meia hora, vá, quinze minutos, tentei levar o filme a sério mas não consegui. O psico-patinho resolve então arranjar um — aspas com os dedos — “sistema operativo” ou seja, uma acompanhante digital, para: a) não faço ideia, b) fazer de conta que tem uma namorada, c) lamentar-se a alguém porque já ninguém tem paciência para o aturar. A acompanhante digital tem voz de gaja boa e claro que é interpretada por uma gaja boa (que seria, meu deus, se alguém feio entrasse neste filme), e é uma espécie de mãezinha/coach-de-auto-ajuda/operadora-de-call-center que tem de o aturar twentyfourseven, passar-lhe a mão pela cabeça e achar o máximo tudo o que ele diz/faz. Ele é sempre bonzinho e bonitinho e fofinho e usa casaquinhos de malha, e acha tudo poético e profundo porque lá está, com água pelos artelhos, é difícil mergulhar de cabeça. É claro que a gaja farta-se porque lá por uma pessoa não ser real não quer dizer que seja de ferro e é então que ele repara oh, surpresa! afinal o mundo não gira só à minha volta, o mundo também gira à volta de cada um destes anormais que passam por mim na rua agarrados ao telemóvel, sem tirar os olhos dele, cof cof, wink wink. O filme é uma bolha polida, com tudo a condizer, um conceito trezentos e sessenta como se costumava dizer em publicidade no início deste milénio. Lá pelo meio ainda conseguem que ele apareça com um chapeuzinho igual ao do holden caulfield e do ignatius reilly, duas das personagens mais imbecis da história da literatura amadas pelos hipsters do sexo masculino. Não há acidente, atrito, dissonância, não há lixo, só formalismo e conceptualismo fruto de um hi(p)stérico culto da superficialidade. No fim de contas aquilo para mim funcionou como uma comédia aborrecida com um delivery mesmo muito longo ou então como um gigantesco anúncio a uma operadora móvel de telecomunicações. Eu sou uma pessoa ruim, eu sei, e tenho uma pedra no lugar do coração, mas continuo a achar que o filme devia chamar-se “A minha mão direita versão 2.0” fap, fap, fap, if you know what I mean.

4 pensamentos sobre “her

  1. «A minha mão direita versão 2.0», oh pá, oh pá :D :D (mesmo)
    Tu é que devias escrever [na secção de críticas de cinema].
    Finalmente um texto sobre um filme em que não chego ao fim e me pergunto «mas afinal qual é a opinião desta pessoa?», «mas o que é que isto [isto: algo críptico e certamente muito intelectual) quer dizer?», «mas…mas… [não tenho estudos para isto, como se diz agora]», e ainda me fazes rir.
    Beijinhos ^^

  2. Fiquei com vontade de ver “her “. Quem faz sempre e eternamente o mesmo papel é o Nicolas Cage. Mas lá está tenho uma grande má vontade com ele. Enfim nem é justo mete lo num post sobre Joaquin Phoenix.

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