diário #20210102

Começo o ano com o lavatório da cozinha entupido, no que me parece uma excelente metáfora para 2020, o ano entupido. Eu gosto demasiado de estar em casa, e estar demasiado em casa não me faz bem. Preciso de ser contrariada, não preciso de mais de mim mesma. Nunca fui fã dos fins-de-ano, mas se este ano me ensinou alguma coisa foi que é importante ter marcadores e metas, nem que sejam aleatórias ou simbólicas, ter alguma sensação de ritmo e ciclo que me ancorem a algum lado, quando tudo o resto é líquido. As resoluções de ano novo são as do costume, consumir menos merda em geral, pela boca, pelos ouvidos, e pelos olhos, como os macaquinhos chineses. Ler mais, escrever mais, tá bem, todos os anos a mesma coisa, só sei ser assim. Não sei que livro estava a ler quando tive esta epifania, mas acho que escrevo porque preciso de companhia. É muito difícil ser eu porque todos os dias sou uma pessoa diferente. É estranho, pronto, esqueçam. Aqui vamos nós, no nosso filme desastre tentar chegar ao fim, ao felizes para sempre.

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