Isto

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13 thoughts on “Isto

  1. Houve várias coisas com que discordei na entrevista e outras tantas que tenho de pensar melhor (serviram a carapuça, provavelmente) mas isto aqui:

    ‘There’s a certain segment of feminists who are like “pole dancing classes are so empowering” and “bikini waxes are so empowering blah blah blah.” No, it’s not. You’re trying to make yourself available. Just say that! Just say it! I don’t understand why people need to cloak certain things under a feminist label that are clearly not feminist. But they do it in order to not feel cognitive dissonance. You can have two conflicting ideas. You can want to be fuckable and you can want to destroy the patriarchy. I have this same conflict. Everyone does.’

    SIM.

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  2. Tanto o excerto que a DS colocou aqui como este me fizeram saltar da cadeira:

    “Yeah, I find it so weird that after we got rid of marriage as a way to pass down property and control family and women’s sexuality, we were still like, “I still want to do it! Just for fun!” I don’t understand! That’s another thing—like people who get married, I’m like, that’s not a feminist! You’re not totally with the cause if you’re married and calling yourself a feminist.”

    No entanto, acho que não é assim tão linear. Se a reprodução humana fosse individual, se não fosse preciso um homem e uma mulher para continuar a espécie, as nossas relações amorosas e sexuais seriam totalmente diferentes. Estamos biologicamente preparados para procurar um parceiro, embora as vivências culturais, etc., possam acentuar ou anular essa predisposição. Há de haver forma de conciliar a natureza humana com a justiça. Sei lá. Gostei muito da parte em que ela relaciona a recusa da exploração humana com a causa feminista. Mas ainda estou a processar tudo, vou ter que reler.

    SJ, se leres o livro comenta-o aqui no blogue, pf.

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    1. Mas a questão não é com as relações, é com a instituição casamento e a bagagem histórica dessa instituição na opressão das mulheres. Claro que hoje em dia já se pode considerar que não seja opressora mas há demasiados símbolos que ainda se adotam que são reflexo dessa opressão. Eu não consigo olhar para uma marcha até ao altar de pai e filha e não pensar que aquela porcaria simboliza a entrega da tutela da mulher pelo pai ao novo marido. Nem consigo ficar confortável com o facto da vasta maioria das mulheres – incluindo muitas que se intitulam feministas – ainda adotar o nome do marido. Não estou a dizer que não o devem fazer ou que essas mulheres não podem ser feministas (se bem que a autora o faz), mas não chamem a essas coisas de feministas só porque mulheres as fazem.

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      1. Bom, ainda não li, mas já casei duas vezes. Não acho que seja anti-feminista, vejo o casamento como um contrato com efeitos patrimoniais, e que visa – principalmente – assegurar direitos pós-morte. Resta dizer que casei pelo civil, e não houve cá a palhaçada do pai entregar a filha. Da primeira vez ainda cedi à treta da festa e vestido (era nova, e pronto). Da segunda fomos só os dois ao registo e pronto. Nem uso aliança, não gosto. Até as temos, mas não têm o nome do “dono”, só uma inscrição de que gostamos muito (título de uma música dos The Beatles, por acaso).

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      2. Mas se as uniões de facto tiverem os mesmos direitos que os casamentos deixa de fazer sentido legalmente, né? (não sei se concordo que tenham, mas isso já é outra história, ia ter de analisar de legislação sobre contratos verbais, usucapião, reconhecimento notarial, etc :D ).

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      3. Eu nunca me quis casar, para mim nunca fez sentido aquilo tudo, mas não me importo nada que as pessoas se casem. Isso de trocar de nome faz-me confusão se não for mútuo, cada um ficar com o apelido do outro.
        Não tenho direito a 15 dias de férias e a enviar o meu NIB para os convidados depositarem as suas prendas de casamento em dinheiro para eu poder ir viajar, mas paciência :D

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    1. Exato, era isso que vinha dizer. Não sei se o casamento enquanto instituição alguma vez pode ser visto como feminista. Mas já não é anti-feminista, o que já não é mau.

      Eu já quis casar com festa e tudo o que pertence, já quis fazer um eloping (aquilo do casamento secreto onde se casa sem mais ninguém assistir e saber e que eu acho fantástico mas que não existe equivalente na língua portuguesa), ultimamente tenho dúvidas muito fortes se alguma vez vou querer casar. Mas ainda há uma semana estive no casamento de uma pessoa muito chegada e querida e chorei que nem uma desalmada quando a vi aparecer vestida de noiva. Não acho mesmo nada mal que as pessoas se casem e uma das coisas que me eriçou o pêlo quando li o texto foi precisamente a autora dizer que quem casa não pode ser feminista. Onde fica a admissão que as pessoas são contraditórias e podem ter conflitos internos?

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      1. Uma mulher que case porque quer pode ser feminista. As outras não sei, mas eu sou. Dizer que não é diminuir a capacidade de escolha e decisão dessa mulher. Eu não vou dizer a uma mulher adulta o que deve ou não fazer/vestir/comer. Posso debater, mas não vou diminuí-la com argumentos de que cedeu ao patriarcado ou assim, ou é menos por isso.

        Anyhoo, eu tenho uma visão muito desapaixonada do casamento enquanto cerimónia e instituição. E nos tempos que correm ambos os cônjuges – que até podem ser do mesmo sexo – têm direitos iguais (só em caso de divórcio, e quanto a prazo internupcial há uma excepção, mas enfim, a seu tempo). Eu tenho um casamento muito atípico, aliás, tenho uma relação muito atípica e nada de acordo com esses canônes tradicionais. Para ser franca e directa, a situação é que quando nos juntámos eu já tinha propriedade (a casa), e quis que em caso de azar (lagarto, lagarto) ele a herdasse em condições. A não ser assim, os meus sobrinhos seriam meus herdeiros e poderiam pô-lo numa situação muito delicada. Lá está, sou uma gaja muito prática. E até pretendo fazer testamento e deixar legados aos sobrinhos, mas preguiça.

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  3. Outra: sou absolutamente contra dar os mesmos direitos sucessórios aos unidos de facto. Hoje em dia, e estando previsto o casamento entre pessoas do mesmo sexo, não há situações de desigualdade que a lei deva colmatar. Se as pessoas são muito à frente e libertárias e não querem assinar um papel, então também não querem que o Estado e a Lei interfiram nas suas relações patrimoniais. Se eu quero tv cabo também tenho que assinar um papel, ora. Se quero ter um carro, também tenho que o registar. São regras.

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