Agora estou a ler este

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Um daqueles branquinhos da secção “gestão for dummies” ou “autoajuda para gestores”, mas que aborda um assunto que me interessa e sobre o qual já li vários livros (“Small Data” Martin Lindstrom e o “Weapons of Math Destruction” da Cathy O’Neil”), que é a importância que se dá à recolha de dados. Este aborda a forma como é preciso um “salto de fé” para criar inovação, que as grandes descobertas têm por base a imaginação e não apenas a análise intensiva de dados, e a forma como estamos a desperdiçar ideias e soluções só porque não temos uma montanha de dados para as corroborar. E é bom para trazer na mala porque é levezinho.

Eu queria muito ter gostado deste livro

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A primeira parte é bastante confusa e, não sendo difícil de ler, fez-me voltar atrás várias vezes por causa da forma estranha como as frases estavam construídas. Comecei a desconfiar da tradução, mas como não tenho o original para comparar fiquei caladinha. Até que comecei a apanhar gralhas, incongruências, falta de vírgulas, de concordância, o nome da mesma personagem escrito de maneiras diferentes. Nalgumas partes parecia que nem um corrector ortográfico tinha sido passado pelo texto (a palavra “desadelo” não aparece no dicionário, é fácil de ser apanhado pelo corrector ortográfico). Uma das personagens é apresentada com o género errado (Shoshanna é um nome feminino, lá porque a personagem passou pelo exército israelita, não quer dizer que tenha obrigatoriamente de ser um homem) e o mesmo acontece a uma pessoa real nos agradecimentos (a autora tem uma irmã gémea, e não um irmão como a personagem do romance, wikipedia dixit).

O nome original do livro é “Ghana Must Go”, um tipo de saco de transporte que ganhou esta alcunha por ter sido utilizado pelos ganeses que fugiam da Nigéria em finais do século XX. Eu até consigo entender a opção editorial de trocar o nome do livro por outro que necessita de menos explicações. No entanto, acho que devia existir uma nota editorial no início do livro, visto que os tais sacos aparecem numa das cenas finais do livro, e no fundo, são um símbolo de toda aquela história de emigrantes ganeses e nigerianos. Nesta cena final, o saco é apresentado como “um saco plástico com os dizeres Ghana Must Go”, o que me deixa a dúvida se, na versão original, seria mesmo um saco de plástico com letras impressas ou um saco como estes. A carga simbólica da cena seria bem diferente.

Quanto ao conteúdo do livro, tem demasiada gente a chorar agarrada aos joelhos, demasiada telepatia entre mãe e filhos e irmãos, demasiados clichés, demasiadas frases. Assim. Só. Com uma. Ou duas. Palavras. Para além disso notei que as descrições dos ambientes do Gana era exóticas e ricas, enquanto as dos Estados Unidos quase inexistentes, como se fossem “a norma”. Parece que estamos a ler um livro escrito por uma Becky qualquer que foi fazer voluntariado em “África” e achou aquilo tudo “very typical”. Resumindo: esperava muito mais, só comprei o livro porque adorei o conto “The sex lives of african girls” publicado na edição portuguesa da revista Granta intitulada “África”.

Desperdício de dinheiro e uma lição aprendida: deixar de comprar traduções de livros ingleses ou americanos. Como cantava o Jim Diamond, ai ai ai ai, ai ai ai ai ai ai, I should have known better.

 

Já me esquecia

No Garlic and Sapphires percebemos bem como as mulheres de uma certa idade se tornam invisíveis, a importância das máscaras e das personagens que criamos para nós.

Gourmet

Passado nos anos 90, antes da gourmetização low cost, do 11 de setembro, da gentrificação de NY, do boom das opiniões self-service online. Um livro sobre o meu mundo*. Muito fixe e muito bom para distrair a cabeça de coisas sérias.

(Obrigada Mariana)
*há cerca de 16 anos desenvolvi uma teoria que o mundo acabou a 31 de dezembro de 1999, que o bug do milénio aconteceu e que acabou com a humanidade como a conhecíamos e que isto que vivemos agora é uma realidade pós-apocalíptica tipo alucinação colectiva. Sempre que leio algo passado nos anos 90 tenho saudades daquela merda. Não se inventou nada de novo verdadeiramente interessante desde então (é aqui que vocês entram a dar-me na cabeça e como o mundo é muito melhor agora porque… inserir cena que não havia nos anos 90…) Este já não é o meu tempo, é triste ter deixado de o ser quando eu tinha apenas 20 anos. O que farei ao resto da vida, sinceramente não sei.

Indisciplina

Bem sei que queria acabar de ler os livros que tenho a meio antes de começar outros, mas não dá. Chegou-me ontem este pelo correio e peguei logo nele. Sim, já está todo orelhado (amo paperbacks ranhosos impressos em papel higiénico). Vou a meio.

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Nunca li nenhum livro do Stephen King. Dos filmes e séries feitos a partir dos livros dele que vi até hoje, gostei de todos. Até  Especialmente os mauzitos, como os Langoliers. Não sei porque nunca li nenhum livro do Stephen King (como se percebe pelo título, este não é o livro típico do Stephen King, por isso, estar a lê-lo, não significa que a partir de hoje eu possa dizer que já li um livro do Stephen King).

Este deve ser um dos melhores livros que li sobre o ofício da escrita. Stephen King é prático e gentil, encorajador mas sem bullshit. Agora vou ler o resto.