E a desempregada sou eu

Sempre que saio de uma entrevista numa agência de publicidade venho de lá com genuína pena daquelas pessoas que me acabaram de entrevistar, incluindo directores com dois apelidos e tudo. O ar de cansaço e desespero, os lamentos sobre o mercado, os clientes, a falta de tempo, as horas extras, os problemas, os prazos, as crises, o drama. Saio sempre muito bem disposta e aliviada por já não viver assim. A minha mentalidade e disposição mudou radicalmente no último mês, como se tivesse saído da caverna da alegoria platónica. Também é certo que não me voltam a contactar. Deve ser do meu novo e beatífico ar, de quem viu a luz e jamais voltaria para a caverna, incompatível com o sado-masoquismo de trabalhar numa agência de publicidade. Agora é começar a responder a anúncios para trolha, que já pintei muitas paredes e gosto de assobiar enquanto trabalho.

Anúncios

6 thoughts on “E a desempregada sou eu

    1. Ou atrás da orelha. A menos que na orelha se traga o lápes.
      E tens de dizer “batume”, como “agora vamos batumar as juntas”. Betume é para doutores. E “véstoria”.

      Gostar

  1. Revi-me na descrição dos teus entrevistadores e nos teus desejos e projetos.
    Isto está realmente grave!
    Venha de lá essa obra, que já estou por tudo e pelo menos a companhia é boa.

    Gostar

Os comentários estão fechados.