Com um beijinho para o Rui Patrício

https://www.theguardian.com/football/2016/jun/24/book-goalkeepers-leaving-line-penalties-pierluigi-collina

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Idade Média

Hoje acordei a pensar se será assim tão improvável a Europa voltar àqueles tempos tenebrosos em que quem não era racista ou xenófobo era perseguido e preso por ajudar seres humanos.

Pulp, Bukowski

O Modiano está para uma posta de pescada cozida como este está para uma sandes de presunto. Sabe bem com uma cervejinha mas não convém abusar: excesso de sal e gordura.

(Um delírio cómico, misógino, alucinado, violento e non-sense. Pulp, como o nome indica)

Mediano


Acabei ontem à noite de ler este livro do Modiano. Um livro bem escrito, uma narrativa impecável, mas surpreendentemente desinteressante. Conta a história de uma paixão de juventude, mas já li descrições de maçanetas, feitas por russos do séc. XIX, com mais intensidade e emoção. Nalguns momentos fez-me lembrar aquele filme-estopada do “antes de amanhecer” que nunca consegui ver até ao fim porque me provoca dores de barriga (eu somatizo muito o tédio, queridos). Uma história seca e incaracterística, em que o narrador faz perguntas o tempo todo, como que para nos mostrar o que devemos pensar ou para onde é que a narrativa se vai dirigir. Será que ela é quem diz ser? Será que os bons são maus? Será que os maus são bons? Quanto dinheiro estará dentro da mala? Bitch, please, não somos leitores amadores, não precisamos de um dedinho sempre a apontar o caminho ao estilo didático-inquisitivo-rua-sésamo. Outra curiosidade é a obsessão toponímica do autor. Parece que estamos a ser guiados por um xófer-de-tacse pelas ruas de Paris: virámos à direita na rue de coq-au-vin e depois à esquerda na place de chantilly, desembocando na avenue bidet paralela à place fondue, onde entrámos num carro que nos levou à rua abat-jour do bairro da chauffage-do-renault que fica nos arrabaldes de cognac-sur-soutien. Cheguei mesmo a desconfiar que se desenhasse num mapa todos os trajectos referidos no texto, estes iriam revelar os contornos de um gros saucisson cuit entre deux camemberts, clin d’œil, clin d’œil… Portanto o livro é bom sim senhor, se forem do tipo de pessoas que gosta de pescada cozida (do Chile!) com arrozinho branco. 

Vim uns dias para a praia descansar a cabeça

Em 3 dias abati estes dois.

Já tinha jurado que ia deixar de ler livros sobre professores universatários por serem tão masturbatórios, mas o Stoner fez-me reconsiderar. Este Pnin é divertido sim senhor mas tem demasiadas sarapitolas intelectuais para o meu gosto, de maneira que regresso à abstinência de ficção académica, que deus me ajude e guarde neste caminho. Seu Rubem é igual ao costume, violência-chiclétxi nunca desilude, melhor que o TLC para esvaziar a cabeça. Entretanto tenho um Modiano a meio e um Bukowski à espera. Depois de ter andado tanto tempo seguido a ler exclusivamente mulheres, resolvi trazer para a praia uns livrinhos que moam menos o juízo, por isso escolhi só machos alpha da literatura, tem sido um descanso. Estou a brincar. Mais ou menos. 

Tudo é amor

Acabei de ler este livro e quero muito convencer toda a gente a lê-lo, mas sempre que tento explicar porquê recuo e apago o que escrevi. Tenho muito medo de ao tentar descrevê-lo fazer um mau serviço e afastar possíveis leitores. Digo portanto apenas isto:

há muito tempo que não me ria tanto a ler um livro, é dos livros mais tristes que já li.

“Uma vida à sua frente” de Romain Gary, ou se preferirem, Émile Ajar.

Obrigada, Wallis.