Respirar fundo

Todos os dias me apetece fazer coisas só toleráveis a quem ganhou o euromilhões ou está às portas da morte. Levantar-me da secretária e, sem qualquer tipo de bagagem, apanhar o primeiro avião para NY, por exemplo. Paulo Varela Gomes publicou 4 livros desde que descobriu que tinha um cancro inoperável e quatro meses de esperança média de vida. Maria Amélia Ferreira de Jesus, euromilionária, encomendou logo outro Maserati, dois dias depois de ter espatifado o que tinha. Eu continuo à secretária a decorar interiores de supermercado e a escrever tolices.

Não sabe / não responde

A minha embirração com questionários advém da necessidade que grande parte dos questionados tem de responder de forma a parecer inteligente e espirituoso em vez de honestamente. A resposta trocadilho, a finta perpendicular à pergunta, o non-sense  já enjoam. Fujam que vem aí o Verão, lá vêm eles enterrar o Proust na areia.

Há também aqueles inquéritos de escolha múltipla (feitos por estudiosos universitários sedentos de dados para completar a amostra) de tal forma mal enjorcados que os deixo quase sempre a meio porque não consigo encaixar a minha resposta em nenhuma das alíneas apresentadas.

Depois há isto:

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A minha resposta seria “passei à porta e entrei”, nenhuma das anteriores. Mas quem é que ainda anda na rua?

 

Do apropriado num funeral

Desde o “Então, continuação!” no fim do enterro, à sms “como é que correu?”, passando pela possibilidade de realização de reportagem vídeo, proporcionada pela funerária.