Diário #20150901

Passo o dia a mendigar palavras escritas que me confortem. O open-space polui-me com palavras faladas, comentários azedos ou sobre vidas alheias. Os phones magoam-me os ouvidos por isso não aguento muito tempo com eles postos. Bem sei que já não se usam destes pequenitos de enfiar nos ouvidos, mas ainda não tive vagar de ir comprar desses auscultadores gigantes que acolchoam o ruído do lado de fora. Vou à casa-de-banho mais vezes do que o necessário para desanuviar a cabeça. No computador o programa informa-me que vai operar em modo “demo”, o que não é novidade nenhuma, t’arrenego satanás, mais uma benzedura e pronto. No jornal, estudos científicos provam que outros estudos científicos afinal não são assim tão científicos. Notícias, não há, só fait divers, a corrida à Dismaland é tão ridícula como a corrida à Disneyland, hordas de pessoas tentam provar com muita força que não fazem parte do establishment. A Virginia Woolf reivindicava um quarto só seu, eu só preciso de um pouco de tempo que seja só meu.

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